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A dupla Carla Cruz & Cláudia Lopes foi selecionada para a residência artística UmbigoLAB @ Fundação da Casa de Mateus 2026
DATA
14 Set 2026
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AUTOR
Umbigo
Segundo a deliberação do júri – constituído pela Umbigo, a Fundação da Casa de Mateus, a Fundação Millenium bcp, Liliana Coutinho e Matilde Seabra –, entre as várias candidaturas elegíveis, a proposta de Carla Cruz & Cláudia Lopes destacou-se pelo caráter distinto da abordagem proposta, relativamente aos projetos anteriormente desenvolvidos em residência na Fundação, bem como a coerência no seu percurso e vocabulário artísticos.
O júri destacou ainda o percurso consolidado da dupla no campo da performance e a forma como a proposta parte de uma investigação concreta sobre o território, revelando um interesse particular pelas questões da sedimentação e das temporalidades cruzadas — dimensões consideradas especialmente férteis para uma reflexão sobre o património. Foi também destacada a investigação anteriormente desenvolvida pela dupla em torno de paisagens subterrâneas, em particular das Minas de Volfrâmio, cuja pertinência se reforça pela proximidade territorial da Fundação da Casa de Mateus à zona de extração de lítio no distrito de Vila Real. Mais, o facto de Carla Cruz e Cláudia Lopes habitarem e criarem a partir de Trás-os-Montes coloca igualmente a sua prática no centro de reflexões urgentes sobre o esvaziamento do interior peninsular, também pertinente para pensar o território da Fundação da Casa de Mateus.
Desde 2020, Carla Cruz e Cláudia Lopes desenvolvem uma reflexão conjunta em torno da noção de tempo e da relação relativamente efémera que temos com este, em contraste com a persistência dos objetos, lugares e geologias. Nos seus projetos manifestam-se temas como circularidade, fragmentação, sedimentações, paisagens — naturais, construídas, transformadas e ficcionais — bem como temporalidades cruzadas, fins de mundo e outras prefigurações especulativas. Entre 2021 e 2023, integraram um projeto de investigação nas antigas minas de volfrâmio de Regoufe, que deu origem às exposições Pedras, no Mosteiro de Arouca e Museu das Trilobites, e Escombreiras, no Laboratório Ferreira da Silva, no Porto, bem como às publicações Medula e Escombreiras, editadas pelo i2ADS.
Apresentaram ainda as exposições individuais Sedimentos (2021), na Casa Museu Júlio Dinis, em Ovar; Superfície (2023), na Galeria Extéril, no Porto; Inerte (2023), no Espaço UM, em Guimarães; do subterrâneo (2024), na Galeria Nuno Centeno, no Porto; e Gramáticas Pardas (2025), com curadoria de Ana Anacleto, no CAAA, em Guimarães. Participaram na Bienal de Trás-os-Montes (2024), com a instalação Superfície, e apresentaram a performance Ar (2025), desenvolvida em residência na Escola de Maceira, na Bienal da Maia.
A dupla terá agora à sua disposição um manancial considerável de conhecimento, técnicas e materiais, que podem ditar novos rumos nas suas investigações e práticas artísticas, podendo ainda tirar partido da inserção territorial que a Fundação da Casa de Mateus fomenta.
A Umbigo, a Fundação da Casa de Mateus e a Fundação Millennium bcp agradecem aos júris e a todos os artistas que participaram nesta open call, desejando a todos as maiores felicidades para o futuro.
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