De acesso livre, a edição zero desta Bienal foi pensada sob o mote “Tentemos” e parte da ideia de que a cultura e a arte podem ser espaços privilegiados para imaginar, experimentar e dialogar sobre outras formas de habitar o presente e concretizar futuros possíveis. A edição zero, segundo as palavras do curador, afirma-se como um primeiro gesto, no sentido da estruturação e consolidação de uma plataforma internacional de criação, experimentação, formação e programação, que promove um cruzamento entre práticas artísticas, ciência, pensamento crítico e participação. Assumindo esta edição como um gesto aberto e em construção, a Bienal propõe um processo contínuo de criação coletiva, valorizando a diversidade cultural e ecológica do território e o cruzamento entre diferentes disciplinas e áreas do saber.
Entre os principais momentos da programação está Tentemos, criação da ondamarela com a comunidade de Odemira, que resulta de um processo desenvolvido ao longo dos últimos meses com habitantes, associações, coletivos musicais e artistas do concelho. Construída a partir de memórias, histórias, vozes e paisagens sonoras do território, a criação cruza música, palavra e performance e culmina, dia 5 de outubro, num percurso entre a Praça da República e o Cerro do Peguinho, com a participação da fadista Gisela João.
A relação entre território, comunidade e criação está igualmente presente em Selva Coragem, instalação do Teatro do Frio, coletivo artístico fundado em 2005, construída com plantas emprestadas por moradores de Odemira. A ocupar a Antiga Abastecedora, um espaço abandonado da vila, a proposta questiona e imagina outras possibilidades para os espaços desvitalizados.
No campo das artes visuais, a Bienal apresenta ainda (enlaça o ficar!), de Carlos Noronha Feio, instalação que parte das paisagens, histórias e comunidades de Odemira para refletir sobre o significado de permanecer, pertencer e criar laços.
O programa inclui também um conjunto de conversas e caminhadas que colocam em diálogo arte, ciência, território e pensamento crítico. A Esquina é o Centro, com Luiz Rufino e Paula Cardoso, propõe uma caminhada-conversa sobre culturas híbridas, pensamento decolonial e cidadania. Em Tentemos Confluências entre Arte e Ciência, Mariana Dias Coutinho, Diogo Dias Coutinho, Marta de Menezes, Luís Graça, Catarina Lacerda e Rodrigo Malvar cruzam diferentes formas de produzir conhecimento, investigar e cuidar dos ecossistemas. Já Tentemos o lugar, com Aurora Carapinha e Madalena Victorino, e Tentemos a experiência da arte pública, com Gonçalo Condeixa, Thomas Wimmer e Carlos Noronha Feio, propõem diferentes olhares sobre a paisagem, o território e o espaço público.
A edição zero encerra com um jantar comunitário e uma noite de música no Cerro do Peguinho, com o DJ-set “De Seixe para o Mira”, de Lava Gull & Hi-Faï, e um DJ-set de Xitãozinho, prolongando a ideia de encontro e celebração que atravessa toda a Bienal.
A par da programação, a Bienal apresenta ainda um Encontro Internacional de Programadores e Curadores, que decorre entre 3 e 5 de outubro e reúne profissionais nacionais e internacionais para conhecer o ecossistema artístico de Odemira, promover redes e criar novas oportunidades de colaboração. Através de apresentações, visitas e encontros com artistas e coletivos locais, o programa procura reforçar a visibilidade da criação existente no território e afirmar Odemira como espaço de criação contemporânea e intercâmbio internacional. A edição zero marca ainda o lançamento da Bolsa Internacional de Criação Artística Madalena Victorino, apresentada na sessão de abertura.
A participação nas atividades é gratuita, estando algumas sujeitas a inscrição prévia ou a lotação limitada. O programa completo poderá ser consultado no website da iniciativa.