13 Out 2026
Soundscape | Rún Árnadóttir
Ensaiopor Rún Árnadóttir
PARTILHAR
“Como é que tocamos nos nossos aparelhos eletrónicos, telemóveis, computadores portáteis, ecrãs? Repetidamente tocamos no ecrã.
Pressionamo-lo delicadamente, acariciamos o ecrã, estabelecemos contacto. Os percursos táteis dos dedos são traduzidos em desenhos e, por sua vez, em sons. Esta peça foi composta para violoncelo e eletrónica e constitui uma interpretação da intimidade entre nós e os nossos dispositivos eletrónicos. Vou anexar uma imagem de um dos esboços feitos durante este processo.”
—
A compositora islandesa Rún Árnadóttir introduz na sua obra uma dimensão que reveste este projeto do maior interesse, o qual, como sabemos, foi concebido para ambientes digitais. Essa dimensão é a empatia do gesto, impregnada daquilo que reconhecemos como “calor humano”.
Consequentemente, esta abordagem tátil distancia-se deliberadamente da frieza racional dos ambientes digitais para introduzir uma nova condição: a sensibilidade.
O sensível, enquanto componente decisivo da arte e, como tal, do som, é assim introduzido na hiper-racionalidade computacional. Trata-se de uma afirmação importante, aqui distante de qualquer retórica, mas posta em prática na bela composição que nos apresenta.
Contemplemos, então, a sensibilidade de Rún através da sua composição, apropriadamente intitulada Touch, e lembremo-nos do significado caloroso desta palavra e da nossa necessidade de a manter bem viva nesta era de interações mediadas por máquinas que ameaçam o calor do toque.
Rún Árnadóttir e Fernando José Pereira
—
A rubrica Soundscape tem coordenação de Fernando José Pereira
BIOGRAFIA
Rún Árnadóttir é uma violoncelista, música e compositora islandesa. É licenciada em Educação Musical (B.Mus.Ed.) com especialização em interpretação de violoncelo clássico e educação musical pela Universidade de Artes da Islândia. O seu trabalho oscila entre a música clássica, o som experimental, a música eletrónica e a composição de canções, com um interesse particular em explorar o violoncelo para além do seu papel tradicional. Compõe, grava e atua com a sua banda islandesa de pós-punk «Virgin Orchestra», ao mesmo tempo que participa em vários projetos musicais e criativos e trabalha como professora de violoncelo. O seu trabalho tem as suas raízes na formação clássica, ao mesmo tempo que abraça a experimentação, a improvisação e uma abordagem alargada ao som.
Anterior
interview
capa da Umbigo.space
12 Out 2026
Fantasmas do Progresso: Wendi Yan sobre a tradução errática, o conhecimento perdido e a vida pós-morte da ciência
Por Alexander Burenkov
PROJETO PATROCINADO POR