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A compositora islandesa Rún Árnadóttir introduz na sua obra uma dimensão que reveste este projeto do maior interesse, o qual, como sabemos, foi concebido para ambientes digitais. Essa dimensão é a empatia do gesto, impregnada daquilo que reconhecemos como “calor humano”.
Consequentemente, esta abordagem tátil distancia-se deliberadamente da frieza racional dos ambientes digitais para introduzir uma nova condição: a sensibilidade.
O sensível, enquanto componente decisivo da arte e, como tal, do som, é assim introduzido na hiper-racionalidade computacional. Trata-se de uma afirmação importante, aqui distante de qualquer retórica, mas posta em prática na bela composição que nos apresenta.
Contemplemos, então, a sensibilidade de Rún através da sua composição, apropriadamente intitulada Touch, e lembremo-nos do significado caloroso desta palavra e da nossa necessidade de a manter bem viva nesta era de interações mediadas por máquinas que ameaçam o calor do toque.
Rún Árnadóttir e Fernando José Pereira
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A rubrica Soundscape tem coordenação de Fernando José Pereira