A nova Umbigo #97 já está nas bancas, desta vez subordinada ao Amor. Não sendo um número enciclopédico, que procura escrutinar todas as definições possíveis de um tema que pode ser sentimento, conceito ou ação, platónico ou carnal, a revista constitui antes um lugar de partilha e afetos, na polifonia que caracteriza a contemporaneidade. Sobretudo, trata-se de uma edição que procura reabilitar o amor enquanto motor social, político e solidário.
Fazem capas, contracapas e Art Projects deste número Ana Vidigal e Soeun Park, dois nomes de geografias e gerações diferentes, que relevam a voz feminina, a identidade e a memória nas suas obras, seguindo práticas radicalmente distintas. Perfis por Maria Brás Ferreira e Orsola Vannoci Bonsi. O Projeto Curatorial ficou a cargo de Filipa da Rocha Nunes, que procura na amizade o fundamento para a exposição, que pode igualmente ser lida como uma ode ao amor pelos artistas e à sua entrega à arte.
Ensaios escritos de Adriana Veríssimo Serrão, Colin Ginks, Daniel Cardoso, Francisca Salema, José Pardal Pina, Maria Inês Mendes, Nuno Alexandre Ferreira, p. feijó e Camila Lobo, e, finalmente, Renny Pritikin. Nos ensaios visuais, Isa Toledo, Duda Affonso, Elisa Azevedo e Annie Sprinkle + Beth Stephens.
Nos projetos comissionados, Vera Midões assina o Projeto Desenho – Fundação Carmona e Costa; Sofia Rocha, o Projeto Intercâmbios FLAD; e Gonçalo Preto foi o artista convidado para o Projeto Paisagens #6. Extensões organizadas pelo CNAD, no âmbito da exposição de Marcelino Santos, e pela Contextile, que selecionou várias das obras apresentadas ao Concurso Internacional da Contextile 2026 – Bienal de Arte Têxtil e Contemporânea.
A secção UmbigoLAB conta com a obra de dois artistas: Jiôn Kiim, a respeito da residência UmbigoLAB x Fundação da Casa de Mateus, em Vila Real; e Pedro O Novo, com projeto artístico no interior, e perfil escrito por Maria Inês Augusto.
Antes ainda, João Silvério destaca a obra de Ana Jotta e Francisco Trêpa na Coleção da Fundação PLMJ; a Livraria Aberta (Porto) seleciona uma série de leituras complementares a esta edição; e Luísa Salvador debruça-se sobre Mains d’amants (1904), de Auguste Rodin. O poema é da autoria de Cláudia R. Sampaio.
E se a coisa parecer demasiado paroquiana, cantemos, pois:
“Selvaggio animale in calore
Il cazzo che mi spruzza nel cuore
Un muscolo rosso d'amore
Affonda lungo il mio cuore”
Cicciolina, Muscolo Rosso, 1987