A 17 de janeiro de 1974, celebrava-se o 1.000.011º Aniversário da Arte, num evento organizado por Ernesto de Sousa, com a colaboração do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, a partir de uma ideia de Robert Filliou de 1963. Nesta festa de grande sucesso, as salas do Círculo de Artes Plásticas encheram-se de música, jogos, dança e arte na qual, entre outros artistas, participaram Alberto Carneiro, Albuquerque Mendes, Alfredo Pinheiro Marques, Armando Azevedo, João Dixo, Jorge Peixinho, Ernesto de Sousa, Isabel Alves, Teresa Loff, Túlia Saldanha.
Amanhã, dia 17 de janeiro, e numa citação a esta memorável festa, celebra-se o Aniversário da Arte, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, no âmbito da exposição Habitar a Contradição de Carlos Bunga, que pode ser visitada gratuitamente entre as 14h e as 21h.
Este será o ponto de partida para um programa contínuo, marcado por uma série de encontros, oficinas, momentos de audição e de leitura, bem como uma ativação da instalação Bosque pelos antigos bailarinos do Ballet Gulbenkian, que regressam à instituição a convite de Carlos Bunga.
Pelas 15:00, no espaço Engawa do Jardim Gulbenkian, Carlos Bunga dará início à realização de uma faixa alusiva ao Aniversário da Arte, uma ação participativa mediada pela Apigmenta e por Ana Carina Dias, aberta à contribuição do público. Em simultâneo, e até às 17:00, decorre a oficina Há Festa na Casa, orientada por Sara Inácio e Raquel Amaral.
Entre as 15:00 e as 18:00, o jardim será ainda ocupado por momentos musicais com Adérito Pontes e amigos — Janise da Silva, José António, Humberto Ramos e Chico Fernandes —, criando uma atmosfera de convívio e escuta informal. Às 15:30, Joana Barrios fará a leitura da carta Uma festa para celebrar o 1 000 011.º Aniversário da Arte, escrita em 1974, retomando o gesto fundacional que inspira esta programação.
A partir das 16:00 e até às 20:00, o programa desloca-se para o interior do CAM, com a apresentação de AUF AUF, do coletivo Pizz Buin – Irene Loureiro, Rosa Baptista, Sara Santos e Vanda Madureira –, um projeto participativo que convida o público a envolver-se numa experiência lúdica que convoca a memória coletiva da ESAD-CR. A instalação encena um jogo de basquetebol em que as bolas são peluches, disponíveis para lançar, e cuja iconografia recupera objetos, situações e mitos partilhados pela comunidade da ESAD-CR. Este projeto foi comissionado pela Culturgest para a exposição coletiva 74 X Caldas = Uma ideia clara? (Centro de Artes das Caldas da Rainha, 2024/25), que propôs uma reflexão sobre a relevância da produção artística caldense, entre 1950 e 2024, no panorama nacional. Em paralelo, decorre O Plantário, com a participação de 35 jovens da 4.ª edição do Laboratório da Imaginação, orientado pelo coletivo Teatro Meia Volta, prolongando-se até às 18:00. O dia culmina entre as 18:00 e as 20:00, na Nave do CAM, com a leitura do manifesto Motherhood por Carlos Bunga, seguida de uma performance que ativa a instalação Bosque. Nesta ação, o artista é acompanhado por Ana Caetano, Bernardo Gama, Paula Sabino, Sylvia Rijmer e Rui Reis, antigos bailarinos do Ballet Gulbenkian, que regressam à instituição para responder ao espaço criado por Bunga. Ao longo de todo o evento, o público é convidado a circular livremente e a partilhar um cacau quente, num ambiente de celebração informal e coletiva da arte. O acesso a todas as atividades é gratuito, mediante levantamento de bilhete no próprio dia, e o programa completo poderá ser consultado no website do CAM – Centro de Arte Moderna.