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"Fazemos música com computadores explorando a cisão entre computadores — como ferramentas, instrumentos, máquinas alienígenas que são sistemas intencionais e cognitivos — e nós — como compositores, intérpretes, humanos. Fazemos música projetando sons e as condições para que esses sons se manifestem e se transformem, e organizando sistemas de ações, eventos e os espaços para que eles aconteçam, por vezes de forma independente dos seus compositores ou intérpretes. Performamos e compomos com computadores, esperando que o computacional influencie a construção da performance, e que cada performer possa sentir a influência dos outros enquanto expressa a sua própria. Fazemos música permitindo que a ruptura entre cada elemento seja sentida e dê origem às peças.
Cada peça desta série resulta da exploração conjunta de um espaço-fase, processo do qual emerge um lugar-tempo específico e situado. Gravações como esta fixam uma estrutura como uma das muitas possibilidades de manifestação a partir das tensões e rupturas nesta malha. Quando compomos e programamos, mas também quando performamos e injetamos aleatoriedade no processo, ou quando gravamos, experimentamos o que surge deste sistema de que também fazemos parte. Descobrimos o que pode encaixar à medida que as regras são estabelecidas e deixadas fluir; trazemos novos objetos sonoros para o sistema, transformando o seu espaço-fase. Esta é uma peça ecológica na qual instrumentos, intérpretes, composição e espaço de performance se fundem, por vezes trocando de posição ou dissolvendo-se uns nos outros, influenciando-se mutuamente, puxando, empurrando e moldando a obra.”
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A rubrica Soundscape tem coordenação de Fernando José Pereira