Partindo de uma premissa simples - a de que aquilo a que chamamos “o mundo” não é algo que encontramos passivamente, mas algo que construímos ativamente - estas sessões propõem uma reflexão sobre a forma como organizamos o fluxo das nossas perceções numa paisagem estruturada de objetos, identidades e significados, explorando, de igual modo, o que decorre quando reconhecemos que o mundo é construído.
Ao longo destes três encontros, Federico Campagna servir-se-á da filosofia, da antropologia e da experiência quotidiana para explorar os mecanismos por meio dos quais um mundo ganha forma. A construção de mundos não começa com conceitos abstratos, mas com uma operação estética fundamental: a organização da perceção em aparências distintas. É a partir desse gesto inicial que emergem estruturas mais complexas – decisões sobre o que existe, distinções entre sujeito e objeto, humano e não humano, passado e futuro, possível e impossível.
A série desenvolve também uma dimensão prática, procurando responder à questão: se o mundo é construído, como o poderemos habitar? Reconhecer a natureza construída do mundo poderá ser um processo desestabilizador, levando-nos a fixar mais rigidamente estruturas familiares ou a abandoná-las por completo. Em resposta a este processo, esta masterclass propõe uma abordagem alternativa, tratando o mundo como algo próximo de um jogo - estruturado e consequente, mas, em última instância, contingente - abrindo espaço para uma ética do “jogo” assente na leveza, na abertura e no compromisso de permitir a coexistência de múltiplos mundos sem os reduzir a uma única ordem supostamente objetiva.
Promovido pela Oficinas do Convento – Associação Cultural de Arte e Comunicação, com direção artística e curadoria de João Rolaça, o projeto integra-se no contexto de Évora 2027 – Capital Europeia da Cultura. As sessões serão gratuitas, mediante inscrição prévia, e serão conduzidas em inglês. Mais informações poderão ser encontradas aqui.